Alexandre Costa Pedrosa explica como a compreensão da neurodiversidade pode ajudar a fortalecer a autoestima de crianças e adultos neurodivergentes.

Neurodiversidade e autoestima: como fortalecer a autoestima neurodivergente em crianças e adultos

Mayer Fischer
By Mayer Fischer

A autoestima neurodivergente é construída a partir do reconhecimento, da validação e do respeito às diferentes formas de funcionamento cognitivo. Como observa Alexandre Costa Pedrosa ao analisar trajetórias emocionais, crianças e adultos neuroatípicos frequentemente desenvolvem uma autoimagem fragilizada não por suas características, mas pela forma como são interpretados e tratados ao longo da vida. Quando o ambiente insiste em padronizar comportamentos, a identidade passa a ser vivida como inadequação.

A neurodiversidade engloba condições como autismo, TDAH, TOD e altas habilidades. Cada uma apresenta singularidades que influenciam percepção, comunicação e interação social. Na avaliação de Alexandre Costa Pedrosa, fortalecer a autoestima nesse contexto exige mudar a lógica da correção constante para a lógica do acolhimento consciente. O indivíduo neuroatípico precisa entender que seu modo de existir não é erro, mas variação legítima da experiência humana.

Como a autoestima neurodivergente é impactada desde a infância

A formação da autoestima neurodivergente começa cedo. Crianças neuroatípicas costumam receber mais feedbacks negativos do que positivos. São corrigidas por comportamentos considerados inadequados, mesmo quando não há intenção de desrespeito. Como aponta Alexandre Costa Pedrosa ao considerar vivências escolares, esse excesso de correções mina a autoconfiança e cria a sensação de estar sempre falhando.

Na escola, dificuldades de atenção, socialização ou regulação emocional são frequentemente interpretadas como falta de esforço. Em casa, comparações com irmãos ou colegas reforçam sentimentos de inadequação. Aos poucos, a criança aprende a esconder quem é para ser aceita. Esse mascaramento precoce compromete a construção de identidade e gera insegurança emocional duradoura.

Quando não há compreensão sobre a neurodivergência, a criança internaliza rótulos negativos. Isso afeta não apenas o desempenho acadêmico, mas também a forma como ela se percebe e se posiciona no mundo.

Autoestima neurodivergente na vida adulta e suas consequências

Na vida adulta, a autoestima neurodivergente reflete anos de experiências mal interpretadas. Muitos adultos carregam a sensação constante de não pertencer, mesmo sendo competentes e responsáveis. Sob a ótica de Alexandre Costa Pedrosa, o adulto neuroatípico tende a atribuir suas dificuldades a falhas pessoais, e não a um funcionamento neurológico distinto.

Esse padrão resulta em autocobrança excessiva, medo de errar e dificuldade em reconhecer conquistas. Em ambientes profissionais, o receio de julgamento leva ao silêncio, à exaustão social e ao isolamento. Em relações pessoais, a insegurança dificulta a expressão de necessidades e limites.

Ao abordar identidade, acolhimento e pertencimento, Alexandre Costa Pedrosa mostra caminhos práticos para construir uma autoestima saudável em pessoas neurodivergentes.
Ao abordar identidade, acolhimento e pertencimento, Alexandre Costa Pedrosa mostra caminhos práticos para construir uma autoestima saudável em pessoas neurodivergentes.

Além disso, o diagnóstico tardio, comum em adultos, pode gerar ambivalência emocional. Ao mesmo tempo em que traz alívio, também desperta luto por anos de incompreensão. Trabalhar a autoestima nesse momento é essencial para ressignificar o passado e reorganizar o presente.

Estratégias para fortalecer a identidade neuroatípica

Fortalecer a autoestima neurodivergente envolve ações práticas e contínuas. O primeiro passo é o reconhecimento. Nomear a neurodivergência ajuda a separar identidade de comportamento. Como reforça Alexandre Costa Pedrosa ao analisar processos de autoconhecimento, compreender o próprio funcionamento reduz culpa e amplia autonomia emocional.

Outro fator importante é valorizar habilidades naturais. Neuroatípicos costumam apresentar criatividade elevada, hiperfoco, pensamento analítico ou sensibilidade apurada. Quando essas características são reconhecidas, a identidade se fortalece. O foco deixa de ser “o que falta” e passa a ser “o que funciona”.

A comunicação também exerce papel central. Linguagem clara, feedbacks objetivos e ausência de ironia facilitam relações mais seguras. Para crianças, elogios específicos são mais eficazes que generalizações. Para adultos, ambientes que respeitam limites sensoriais e estilos de trabalho favorecem confiança e pertencimento.

O papel da família, da escola e da sociedade

A construção da autoestima neurodivergente não é responsabilidade apenas do indivíduo. Família, escola e sociedade influenciam diretamente esse processo. Como destaca Alexandre Costa Pedrosa ao avaliar contextos sociais, ambientes que acolhem diferenças promovem saúde emocional.

Na família, o apoio começa pela escuta. Validar sentimentos, respeitar limites e evitar comparações fortalece o vínculo e a segurança emocional. Na escola, práticas inclusivas, adaptações pedagógicas e mediação social reduzem experiências de fracasso. Já na sociedade, a disseminação de informação correta combate estigmas e amplia compreensão.

Quando o entorno muda, o neuroatípico deixa de se defender o tempo todo e passa a se expressar com mais autenticidade.

A autoestima neurodivergente se fortalece quando identidade e funcionamento são compreendidos sem julgamento. Crianças e adultos neuroatípicos precisam de ambientes que reconheçam suas singularidades e valorizem suas competências. As reflexões de Alexandre Costa Pedrosa evidenciam que autoestima não nasce da adaptação forçada, mas do pertencimento genuíno. Ao validar a neurodiversidade, abrimos espaço para identidades mais seguras, relações mais saudáveis e uma vida vivida com dignidade e autenticidade.

Autor: Mayer Fischer

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