Elmar Juan Passos Varjão Bomfim aponta que captação e reúso de água em plantas industriais deixaram de ser tema apenas ambiental e passaram a ocupar o centro da eficiência operacional. Em muitos setores, água é insumo crítico para resfriamento, lavagem, processos e utilidades, portanto falhas de abastecimento, restrições de outorga e aumento de custo podem comprometer produção e previsibilidade financeira.
Ainda assim, reúso não significa reaproveitar qualquer efluente de qualquer forma. A engenharia precisa definir qualidade requerida por aplicação, níveis de tratamento, segurança sanitária e confiabilidade do conjunto. Além disso, o sistema deve dialogar com variabilidade de carga e com a realidade de manutenção, evitando soluções sofisticadas no papel e frágeis na rotina industrial.
Balanço hídrico e definição de usos compatíveis
Na leitura de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, um programa de reúso consistente começa com balanço hídrico detalhado, identificando entradas, saídas, perdas e pontos de maior consumo. Mapeamento por processo, horários de pico e sazonalidade permite enxergar onde o reúso entrega mais valor, sem comprometer qualidade nem segurança. Desse modo, o projeto deixa de ser genérico e passa a ser orientado por demanda real e por critérios de prioridade técnica.
Por outro lado, cada uso exige um padrão de qualidade diferente. Água para torres de resfriamento, lavagem de pisos, combate a incêndio ou utilidades tem requisitos próprios de sólidos, carga orgânica e corrosividade. Assim, a engenharia define rotas de reúso por qualidade, reduzindo sobretratamento e evitando riscos como incrustação, corrosão e proliferação biológica. Logo, a viabilidade do sistema depende de alinhar tratamento ao uso final.
Captação, pré-tratamento e confiabilidade do sistema
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim observa que a captação, seja de fonte superficial, subterrânea ou de efluente interno, exige proteção operacional para garantir regularidade e qualidade mínima. Grades, peneiras, decantação e equalização funcionam como barreiras iniciais, reduzindo choque de carga e protegendo equipamentos sensíveis. Além disso, a escolha de bombas, redundâncias e arranjo hidráulico precisa considerar manutenção sem parada total, porque interrupções longas anulam o ganho de autonomia.
Em seguida, pré-tratamento bem calibrado reduz custo e instabilidade nas etapas posteriores. Variações de turbidez, óleos, sólidos e temperatura podem degradar membranas e elevar consumo químico, por isso equalização e controle de dosagem são essenciais. Nesse sentido, instrumentação confiável e pontos de amostragem ajudam a manter o sistema dentro de parâmetros, com resposta rápida a desvios. Assim, o reúso se torna operacionalmente previsível.
Tratamento, controle de qualidade

e segurança operacional
Conforme analisa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, definir tecnologia de tratamento exige considerar a qualidade requerida e a variabilidade do afluente. Processos físico-químicos, biológicos, filtração e membranas podem ser combinados, contudo o objetivo deve ser desempenho estável, e não complexidade gratuita. Portanto, a engenharia precisa prever barreiras múltiplas, proteção contra contaminação cruzada e procedimentos de emergência, garantindo que o reúso não introduza risco ao processo industrial.
Além disso, controle de qualidade não é apenas coleta eventual. Indicadores como condutividade, turbidez, ORP, cloro residual e parâmetros microbiológicos, quando aplicáveis, precisam ser monitorados com frequência compatível com o risco. Assim, decisões operacionais podem ser tomadas com base em limites claros, com bloqueios automáticos e recirculação quando a água sair da especificação. Por conseguinte, o sistema mantém desempenho e protege a planta.
Integração com a operação e estratégia de manutenção
Segundo Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, reúso industrial só se sustenta quando a integração com a operação é pensada desde o projeto. Reservação, redes dedicadas, válvulas de retenção, identificação de linhas e rotas de by-pass permitem operar com flexibilidade e reduzir risco de mistura indevida. Além disso, a integração com utilidades e com o sistema existente precisa ser documentada, para evitar intervenções improvisadas e perda de rastreabilidade ao longo do tempo.
Por fim, manutenção e gestão de ativos determinam o custo real do reúso. Rotinas de limpeza, calibração de instrumentos, substituição de elementos filtrantes e inspeções em bombas e válvulas devem ser compatíveis com a capacidade da equipe e com o calendário de produção. Nesse contexto, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim sugere que projetos mais bem-sucedidos são os que combinam confiabilidade, simplicidade operacional e controle de qualidade consistente, garantindo autonomia hídrica com segurança e previsibilidade.
Autor: Mayer Fischer