Guilherme Campos

Cidades em expansão precisam pensar 20 anos à frente?

Leon Vardssen
Por Leon Vardssen

Na avaliação de Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro, uma cidade que cresce não aumenta apenas o número de moradores. A expansão também pressiona ruas, transporte, drenagem, saneamento, energia, serviços públicos, comércio e oferta de moradias. Nesse cenário, cidades em expansão precisam considerar não apenas as necessidades atuais, mas também os efeitos das decisões tomadas hoje sobre as próximas décadas.

 

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O crescimento de hoje pode definir a cidade de amanhã

Pensar duas décadas à frente não significa tentar prever exatamente como será uma cidade em 20 anos. O objetivo é trabalhar com cenários e identificar quais estruturas terão capacidade para acompanhar diferentes possibilidades de crescimento. Uma nova área residencial, por exemplo, pode aumentar a necessidade de transporte, escolas, comércio e serviços muito além dos limites do empreendimento. Também é necessário considerar como essas novas demandas poderão se distribuir pelo território, evitando que a expansão crie regiões dependentes de estruturas que ainda não existem.

 

Segundo Guilherme Campos, esse raciocínio também ajuda a evitar decisões que funcionam apenas no curto prazo. O Ministério das Cidades orienta que o planejamento considere as características específicas de cada município e seja acompanhado de diagnósticos, participação social e revisão periódica. O Plano Diretor, nesse contexto, deve permanecer compatível com as transformações urbanas, demográficas e sociais. A revisão ao longo do tempo permite ajustar diretrizes conforme a cidade muda, mantendo o planejamento alinhado às necessidades que surgem durante o processo de expansão. 

Infraestrutura precisa acompanhar a expansão

Uma das maiores dificuldades de uma cidade em crescimento aparece quando a ocupação do território avança mais rapidamente que sua infraestrutura. Uma nova avenida pode melhorar a circulação hoje, mas o planejamento precisa considerar o aumento futuro do fluxo de veículos, a conexão com outros bairros e a necessidade de transporte para diferentes áreas. Também é preciso avaliar se a estrutura existente terá capacidade para atender ao aumento da população e das atividades econômicas que podem surgir nessas regiões.

 

Boa Vista oferece um exemplo recente dessa preocupação. Em 2026, obras de mobilidade passaram a ampliar acessos entre bairros e a duplicação da Avenida Venezuela avançou com drenagem, pavimentação e urbanização. A própria administração municipal relacionou a intervenção à necessidade de acompanhar o crescimento urbano da capital. Esse tipo de intervenção mostra como a expansão territorial exige investimentos capazes de melhorar a circulação e preparar a cidade para novas demandas que podem surgir com a ocupação de áreas em desenvolvimento.

Guilherme Campos
Guilherme Campos

 

Guilherme Campos observa que essa lógica também interessa diretamente ao setor imobiliário. Para quem desenvolve ou investe em imóveis, compreender como a infraestrutura pode evoluir ajuda a avaliar não apenas o empreendimento, mas o comportamento futuro da região. A análise permite identificar como novas vias, serviços e conexões podem influenciar a atratividade de uma área e as condições para novos investimentos ao longo do tempo.

Moradia não pode ser pensada separadamente

Projetar o crescimento de uma cidade também significa pensar onde as pessoas vão morar e como chegarão aos locais de trabalho, estudo e consumo. Se novos bairros surgem distantes dos principais serviços, a expansão pode aumentar deslocamentos e criar dependência maior do transporte individual. Por isso, a escolha de novas áreas residenciais precisa considerar não apenas a disponibilidade de terrenos, mas também a proximidade e a conexão com os principais pontos da cidade.

 

Por outro lado, quando moradia, infraestrutura e atividades econômicas são consideradas em conjunto, o crescimento pode produzir uma ocupação mais conectada. O próprio planejamento urbano brasileiro busca compatibilizar as ações do poder público e da iniciativa privada com as necessidades coletivas do município. Essa articulação permite que a expansão acompanhe a criação de serviços e oportunidades, reduzindo a formação de áreas isoladas e com acesso limitado à estrutura urbana.

 

Por fim, Guilherme Campos pontua que essa integração é particularmente importante para o desenvolvimento imobiliário. Um terreno pode parecer atrativo isoladamente, mas seu potencial depende também do que acontecerá ao redor dele. A chegada de novas vias, equipamentos públicos e serviços pode alterar significativamente a dinâmica de uma região. Da mesma forma, a ausência dessas estruturas pode limitar o aproveitamento da área e influenciar as decisões de moradores, empresas e investidores interessados naquele território.

 

Acompanhe Guilherme Campos no Instagram, em @guicamposvlg, para continuar acompanhando discussões sobre desenvolvimento imobiliário, negócios e os caminhos de crescimento regional.

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