Marcello José Abbud

A corrida das cidades para reduzir a dependência dos aterros sanitários

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez

Marcello José Abbud, referência em tecnologias inovadoras para tratamento de resíduos sólidos urbanos, acompanha uma discussão que vem ganhando relevância entre gestores públicos, especialistas ambientais e planejadores urbanos: a necessidade de reduzir a dependência dos aterros sanitários como principal solução para os resíduos sólidos urbanos. Embora os aterros desempenhem um papel importante na destinação final dos rejeitos, o crescimento populacional e o aumento do consumo têm colocado em evidência os limites desse modelo.

Nas últimas décadas, a expansão urbana elevou significativamente a quantidade de resíduos produzidos diariamente. Em muitos municípios, a capacidade dos aterros já enfrenta pressão constante, exigindo investimentos cada vez maiores para ampliação, monitoramento e manutenção. Paralelamente, surgem tecnologias capazes de recuperar materiais, gerar energia e diminuir o volume destinado à disposição final, mudando a forma como os resíduos são enxergados.

Aprofunde-se lendo a seguir!

Por que os aterros deixaram de ser a única alternativa?

Historicamente, os aterros foram considerados a solução mais viável para substituir os lixões e garantir maior controle ambiental. O avanço representou uma melhoria importante, especialmente na redução de contaminações diretas do solo e da água. No entanto, a realidade atual apresenta novos desafios que exigem abordagens complementares.

Um dos principais problemas é que mesmo os aterros modernos possuem vida útil limitada, conforme frisa Marcello José Abbud. Quanto maior a geração de resíduos, menor tende a ser o período de operação dessas estruturas. Isso significa que as cidades precisam buscar novas áreas, enfrentar processos de licenciamento complexos e arcar com custos crescentes relacionados à gestão ambiental.

Além disso, materiais que poderiam retornar à cadeia produtiva continuam sendo enterrados diariamente, gerando desperdício de recursos e reduzindo oportunidades de desenvolvimento econômico.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Quais tecnologias estão mudando esse cenário?

O avanço tecnológico tem ampliado significativamente as possibilidades de tratamento dos resíduos urbanos. Atualmente, diferentes soluções permitem separar materiais recicláveis, recuperar componentes orgânicos e até transformar resíduos em fontes de energia.

Essas tecnologias não substituem completamente os aterros, mas reduzem de forma expressiva sua utilização. Em vez de receber grandes volumes de materiais misturados, os aterros passam a receber apenas rejeitos que realmente não possuem viabilidade técnica ou econômica para reaproveitamento.

Na visão de Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, esse modelo integrado permite uma gestão mais eficiente, capaz de combinar sustentabilidade ambiental com resultados operacionais mais consistentes.

O que as cidades ganham ao valorizar os resíduos?

A valorização dos resíduos cria benefícios que vão além da questão ambiental. Isso porque, quando materiais recicláveis retornam ao mercado e resíduos orgânicos recebem tratamento adequado, surgem oportunidades para geração de emprego, fortalecimento da economia local e redução de custos relacionados à disposição final.

Outro aspecto importante envolve a previsibilidade financeira dos municípios. Quanto menor a dependência exclusiva dos aterros, menores tendem a ser os impactos associados à necessidade de expansão contínua dessas estruturas.

Marcello José Abbud ressalta que há também ganhos relacionados às metas ESG e às exigências cada vez mais presentes em políticas públicas voltadas para sustentabilidade e desenvolvimento urbano.

Como será a gestão de resíduos nos próximos anos?

A tendência é que os municípios passem a adotar modelos cada vez mais diversificados, combinando reciclagem, recuperação energética, tratamento de resíduos orgânicos e soluções tecnológicas voltadas à economia circular.

Como referência em tecnologias inovadoras para tratamento de resíduos sólidos urbanos, Marcello José Abbud acompanha uma transformação que deve redefinir a infraestrutura ambiental brasileira. O foco tende a migrar progressivamente do descarte para o aproveitamento, permitindo que os resíduos deixem de representar apenas um problema operacional e passem a integrar estratégias de desenvolvimento sustentável.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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