Segundo Gustavo Khattar de Godoy, médico com mestrado e doutorado em Clínica Médica pela UNICAMP e pós-doutorado pelo Johns Hopkins Hospital, a inclusão de exames de imagem em check-ups de rotina precisa ser avaliada com critério, considerando fatores como idade, histórico familiar e sintomas apresentados pelo paciente. A busca por diagnósticos cada vez mais completos tem levado muitas pessoas a solicitar exames sem indicação clínica clara, o que nem sempre traz benefícios reais.
Entender os limites e as vantagens do diagnóstico por imagem dentro de um check-up ajuda pacientes e profissionais a tomarem decisões mais equilibradas. Explicamos neste artigo os critérios que orientam essa escolha e os riscos de exames solicitados sem necessidade real.
Quais critérios definem a real necessidade de um exame de imagem no check-up?
A indicação de exames de imagem em avaliações preventivas depende de variáveis como sintomas persistentes, resultados alterados em exames anteriores e fatores de risco individuais. Como aponta Gustavo Khattar de Godoy, a solicitação de exames deve seguir critérios clínicos objetivos, evitando pedidos genéricos que não agregam informações relevantes ao quadro do paciente.
Determinados exames, quando realizados sem indicação, podem inclusive gerar achados incidentais que geram ansiedade desnecessária. Por exemplo, pacientes jovens e sem fatores de risco relevantes raramente se beneficiam de exames de imagem solicitados apenas por precaução, o que reforça a importância de uma conversa prévia entre médico e paciente sobre o real objetivo do exame.
Existe risco em realizar exames de imagem sem indicação clínica?
A exposição à radiação em determinados exames, os custos elevados e o potencial de investigações adicionais desnecessárias fazem parte dos riscos associados à solicitação indiscriminada de exames de imagem.
Como pondera Gustavo Khattar de Godoy, cada exame carrega implicações que vão além do resultado isolado, envolvendo também o tempo e os recursos despendidos em investigações complementares. Nesse contexto, achados sem relevância clínica costumam gerar novas consultas e exames de confirmação, prolongando um processo que poderia ser evitado. Por isso, avaliações bem direcionadas tendem a produzir resultados mais úteis do que baterias extensas de exames sem foco clínico definido.

Como diferenciar check-up preventivo de investigação diagnóstica?
O check-up preventivo tem como objetivo identificar fatores de risco antes do surgimento de sintomas, enquanto a investigação diagnóstica busca esclarecer uma queixa já existente. Na leitura de Gustavo Khattar de Godoy, a combinação entre exames de imagem e avaliação clínica detalhada permite identificar quais situações realmente justificam a solicitação desses exames.
Além disso, um histórico familiar bem documentado por parte do paciente auxilia o profissional a definir, com maior precisão, quais exames agregam valor real ao acompanhamento de saúde. Consultas de retorno regulares também contribuem para ajustar a periodicidade dos exames conforme a evolução do quadro clínico.
Quais exames de imagem realmente fazem diferença na prevenção?
Exames como radiografias de tórax e ultrassonografias abdominais, quando indicados de forma criteriosa, permitem identificar alterações silenciosas antes que se tornem sintomáticas. Sob a perspectiva de Gustavo Khattar de Godoy, a prevenção eficaz não depende da quantidade de exames realizados, mas da adequação entre o exame escolhido e o perfil de risco de cada paciente.
Protocolos de rastreamento bem estabelecidos, orientados por diretrizes médicas reconhecidas, tendem a produzir resultados mais consistentes do que iniciativas isoladas sem embasamento técnico. Fatores como tabagismo, histórico familiar de câncer e idade avançada costumam justificar a inclusão de exames específicos no acompanhamento anual.
Em suma, a decisão sobre incluir exames de imagem em um check-up deve resultar de uma conversa entre paciente e profissional, considerando histórico, sintomas e fatores de risco individuais, e não de uma padronização genérica aplicada a todos os casos. Avaliações periódicas, quando bem direcionadas, tendem a agregar mais valor do que a repetição automática de protocolos extensos.