REM avança com 44 propostas para agricultura familiar e territórios indígenas em Mato Grosso

Redação Jornal Sem Futuro
Por Redação Jornal Sem Futuro

O Programa REM Mato Grosso habilitou 44 propostas inscritas nos editais voltados à Agricultura Familiar e Povos e Comunidades Tradicionais e aos Territórios Indígenas. A etapa documental e a análise dos recursos foram concluídas, permitindo que as iniciativas avancem para a avaliação técnica da Fase II do programa.

Do total, 23 organizações foram habilitadas no edital de Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais. Outras 21 propostas correspondem a projetos de Territórios Indígenas. A seleção ainda não está encerrada: os projetos serão examinados antes da divulgação do resultado definitivo, prevista para 13 de outubro de 2026.

Projetos entram na fase de avaliação técnica

As propostas indígenas serão analisadas por um comitê formado por 12 especialistas. O cronograma estabelece 30 de setembro de 2026 como prazo para a conclusão dessa avaliação. Até lá, os projetos deverão ser comparados conforme os critérios definidos nos editais, antes da escolha das iniciativas que receberão apoio financeiro.

Para os projetos de Territórios Indígenas, os repasses previstos ficam entre R$ 300 mil e R$ 700 mil por iniciativa. O orçamento total destinado a esse edital é de R$ 8,6 milhões. Os valores indicam uma tentativa de financiar ações estruturadas, mas o dinheiro, como costuma ocorrer em políticas públicas, só começa a produzir resultado quando deixa a planilha e chega às comunidades.

Segundo o Programa REM Mato Grosso, as propostas estão relacionadas à bioeconomia, à agricultura familiar, à conservação ambiental e ao desenvolvimento socioeconômico de comunidades tradicionais e povos indígenas. As iniciativas estão distribuídas por diferentes regiões do estado.

Conservação ambiental e geração de renda

A pauta tem peso particular em Mato Grosso porque o estado reúne áreas dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Nesse território, a discussão sobre preservação ambiental não se separa facilmente da produção de alimentos, da manutenção dos modos de vida tradicionais e da criação de alternativas de renda para as comunidades.

O desenho dos editais conecta duas agendas que frequentemente aparecem separadas no discurso oficial: proteger áreas ambientalmente relevantes e fortalecer quem vive nelas. Agricultura familiar, cadeias da bioeconomia e conhecimentos tradicionais podem funcionar como instrumentos de desenvolvimento, desde que os recursos sejam aplicados com planejamento e que os beneficiários tenham participação efetiva na execução das ações.

O próprio programa tem apresentado a bioeconomia como uma frente de atuação. Em outra iniciativa divulgada pelo Programa REM Mato Grosso, a instituição informou uma parceria com o Sebrae para fortalecer mais de 40 iniciativas nessa área. A experiência mostra que a seleção de projetos não se limita à transferência de recursos, mas também envolve a tentativa de organizar atividades econômicas sustentáveis.

Resultado final será divulgado em outubro

A habilitação das 44 propostas não significa que todas serão financiadas. O resultado divulgado em 27 de agosto corresponde à fase de conferência documental e análise dos recursos. A etapa seguinte é justamente a avaliação técnica, que definirá quais projetos estarão aptos a receber apoio dentro dos limites orçamentários estabelecidos.

O cronograma prevê a conclusão da análise até 30 de setembro de 2026 e a publicação dos projetos selecionados em 13 de outubro. A diferença entre as duas datas deverá permitir a consolidação dos pareceres e a organização da divulgação oficial. Até a publicação do resultado final, portanto, permanecem em aberto o número definitivo de iniciativas contempladas e a distribuição dos recursos entre os projetos aprovados.

Na Fase I, realizada entre 2022 e 2025, o Programa REM informou ter apoiado 155 projetos, beneficiado 131 organizações sociais e alcançado 108 municípios de Mato Grosso. A nova seleção amplia a expectativa sobre a continuidade dessa política, especialmente para organizações que dependem de editais públicos para transformar propostas de conservação, produção e desenvolvimento comunitário em ações permanentes.

O próximo marco será a avaliação técnica dos projetos indígenas e das demais propostas habilitadas. Depois, a divulgação prevista para outubro mostrará se o programa conseguirá converter a promessa de bioeconomia e proteção ambiental em investimentos concretos para agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais do estado.

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